.:| Patrícia Cíntya*|:.

Um tempo,uma vida. Pensamentos diversificados,em um mix que compõe as letras do meu dia.Bem-vindo as minhas contradições e meus questionamentos.

.:|Video da semana ;* |:.


Uma garotinha que viu em seu cansaço continuo uma esperança. Essa,volta e meia desaparecia, deixando-a imersa em seu vazio novamente. Não podia ouvir mais tantos telefones que tintilavam um brado impetuoso de impaciência e ordem  a quem se achasse mais próximo deles.
Via todos os olhares debaixo do teto em que se encontrava. Via pessoas que chegavam e que saíam.
Tinha tudo. Tinha muitos. Tinha uma família à sua volta,e , por incrível que pareça, havia várias pessoas ao seu redor. Mas, de nada adiantava se eram apenas vozes distantes, borrões de tinta e sua maior alegria estava em ouvir seus amigos em sua mente. Esses eram reais, estavam presentes em sua ilusão. Estavam presentes.
Com o tempo, já não se sentia bem com os rostos que visualizava ao seu redor. Eles... Eram barulhentos e, gritavam. Em sua mente, nenhum de seus amigos havia se quer aumentado o tom de voz. Nesse momento, estava confusa. Típica observadora, viu a todos e esqueceu de si mesma. Sentia-se extremamente desconfortável  quando necessitava de ficar em um ambiente onde havia várias pessoas.Nada dizia.Queria gritar. Nada sentia, queria apenas afastar qualquer coisa que se aproximasse.
O tempo envelhecia a cada segundo, e a cada instante deste, mais obrigações onde sua voz ficava  para trás entre uma meia-audição e o telefone que o receptor de sua conversa atendera.
Se por alguma vez pensou em agir sem pensar, ou, ignorar o fato de já ter pensado, foi aquele momento. Queria incessantemente estilhaçar todos os telefones que encontrasse inclusive e principalmente os celulares. Estilhaçar aquilo que roubava seu tempo com quem  mais queria ser ouvida e ouvir uma palavra a seu respeito.Ao invés disso, juntou os pedaços que estilhaçados estavam apenas em sua alma e os escondeu, para que as feridas se cicatrizassem à sombra.
Infelizmente, foi se tornando ausente de tudo, inclusive de si mesma para não ter que olhar a ferida que não cicatrizava.Resolveu esperar.Essa espera  a fez fria com tudo e todos.
Séria garotinha que ainda esperava para um diálogo.
 Essa noite.
 Ela pegou seu urso, o abraçou com a mais terna e sincera lágrima que havia para lavar toda a ilusão. No urso, achou uma força, viu que no futuro, quando fosse grande, poderia fazer mais por amigos, se preciso fosse daria a eles ursos também. Essa noite, a garotinha foi com seu urso até o quarto de seus pais, onde sua mãe deitada e exausta pelo cansaço de um dia rotineiro entraria em um sono profundo em instantes. Sua mãe, que feliz estava por ter posto seu caçula para dormir, e que aguardava seu esposo, virou sua voz à pequena e por este momento a garotinha sentiu paz, ouviu e foi ouvida,não havia telefones, campainhas ou pessoas para atrapalhar. Saiu vitoriosa ao ver aquele sorriso doce e maternal estampado na face cansada de sua heroína, mas que, segundos depois adormeceria para recomeçar sua jornada.

" Por que quando não se sente bem,constroi-se muralhas e fortes,ao invés de usar esses blocos para construir uma ponte?"
 - Pois em um forte,possui-se uma pseudo-segurança.Com muralhas,apesar de não ajudar o ambiente interno,há uma proteção que o cerca de maiores ataques externos enquanto, em uma ponte,nunca se sabe se alguém o espera para o jogar para baixo,e nem se esse se preocupará se você sabe ou não nadar...

 Se,além dos vitrais vejo 

Que de nada adianta
Minhas serventia,minha companhia
Emudeço.
Torno-me como uma simples moldura
Sem sua obra de arte.

Vazia como o meu olhar.
Que por hora é surpreendido distante.
Distante de mim.Distante de todos.
E,adentrando ao espaçamento,
Apenas mergulho em mais.

Desconheço meu semblante,
Não sei de minhas emoções.
Para que o brilho no olhar que me mantém esperançosa,
Se este,apenas se faz para a súbita e fosca obscuridade?

"Tudo isso são meros placebos para nos sentirmos melhor.Por um instante,pensei ter visto seus cílios se erguerem.Por um instante,algo inquieto te surpreendeu."-Surprise,Jars Of Clay.

Por que algumas pessoas aparecem,por que voltam se elas têm a certeza que logo depois vão desaparecer,e quem sabe para sempre,deixando ali aquela marca que nem o tempo vai ser capaz de apagar?

É como um tombo,após um tempo que você cai,volta ao lugar da dor e aperta para ter certeza que não vai doer...mas ao chegar perto do ambiente em que caiu a dor volta como um trauma incorrigível.

Não me lamento por ter permitido tal idealização.Por não ser algo possível e até considerar um Eclipse,deixei que tudo transcorrece de maneira que não me afetasse,nunca foi dita uma palavra ou feita uma conversa,até porque sabia que não o veria  mais apos uma determinada data.Estava errada,totalmente.

Você seguiu seu rumo,eu nunca interferi e nem me veio a mente querer ter feito algo a favor.Seria apenas um motivo de conversa,mas por mais infantil que tenha sido,sentia me viva,de pé e forte.

"Com tantos peixes no oceano porque escolher você?"

Agora,novamente aparece e estou eu surpresa sem dever estar.Não ligaria e me daria muito bem com esse vazio se não fosse a sua imagem encarando a minha,trazendo a tona e a todo momento seus olhos em minha direção repetidas vezes e eu,apenas ignorando comentários fazendo disso um fato impossível de acontecer.

Infelizmente,devo confessar que minha memória já não é mais a mesma,assim como meus dias.Apesar de um tempo curto,não me recordo de tudo o que fiz no dia e nem do que vi,apenas lembro o que o momento trouxe,mágoas,alegrias,,,enfim,não há,de fato algo que me faça ter um despertar contínuo.São lapsos e ainda continuo dormindo...os sonhos se vão e,apesar de doer,é só essa chuva que tenho comigo.Seu rosto,seus olhos se foram,as únicas marcas que deixou é algo que as pessoas não percebem e nao iriam perceber.É vago e é meu,nunca foi de mais ninguém.Hoje digo pois é mais uma etapa cumprida,assim nessas palavras para mim mesma,posso hora e meia voltar e ter a certeza de ser um ser humano em constante metamorfose,mas, algumas coisas nunca irão mudar!

"desculpe,caminhos opostos"-(...) Sempre caminhariam em sentidos completamente diferentes,Sol e Lua, que encontrariam-se assim, somente com um eclipse."